“O trono do estudar”, a urgência de viés sociopolítico sacode a música nacional mais uma vez

Chico Buarque Carnaval

2015 foi um ano triste politicamente. Um ano arraigado por ódio, desilusão, confusão, autoritarismo. Nesta semana, Chico Buarque foi mediocremente “atacado” verbalmente com as sempre “sem argumentações”  políticas de uma turma que surgiu (ou reapareceu) nos ultimos anos.

2015 foi um ano de total desgoverno em todos os patamares, como todos já sabem.

2015 foi um ano de ocupações escolares por parte de estudantes, pais e professores nas escolas do Estado de São Paulo contra uma reorganização proposta pelo governo do estado.

Nas décadas de 60 e 70, vários artistas se empenhavam e batiam de frente contra uma política ditatorial instaurada no país. Logo depois, na década de 80 ainda havia uma certa politização na música, mas nas décadas seguintes isso foi perdendo força.

A arte (especialmente a música) é um dos meios mais impactantes para reivindicar, lutar e resistir contra algo fora de um sistema.

O mesmo Chico Buarque, resistente com muita ironia aos ataques nesta semana, é um dos maiores letristas políticos deste país.

Dani Black, filho dos músicos Arnaldo Black e Tetê Espíndola, esteve presente nas ocupações escolares de São Paulo e compôs brava e ironicamente a canção O trono do estudar. É bonito demais ver a música dando resposta, saída, juntar-se aos estudantes, pais e professores. Reerguer esta proposta musical é de extrema importância, ainda mais para jovens que sempre terão o sangue revolucionário para lutar por um futuro melhor (sempre). Chico encabeça esta gravação lotada de outros artistas como: Miranda Kassin, Hélio Flanders, Filipe Catto, Tiê, Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Lucas Silveira e tantos outros.

Abaixo seguem, letra e música: (pensem, repensem “ninguém é o dono do que a vida dá”)

O trono do estudar
(Dani Black)

Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula porque sala de aula essa jaula vai virar
A vida deu os muitos anos da estrutura
Do humano à procura do que Deus não respondeu
Deu a história, a ciência, arquitetura, deu a arte, deu a cura e a cultura pra quem leu
Depois de tudo até chegar neste momento me negar conhecimento é me negar o que é meu
Não venha agora fazer furo em meu futuro
Me trancar num quarto escuro e fingir que me esqueceu
Vocês vão ter que acostumar.
Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula porque sala de aula essa jaula vai virar
E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo e perder o sono mesmo pra lutar pelo o que é seu
Que neste trono todo ser humano é rei, seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu
Pra ter escolha, tem que ter escola, ninguém quer esmola, e isso ninguém pode negar
Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio, nem artista, nem polícia militar
Vocês vão ter que engolir e se entregar
Ninguém tira o trono do estudar.

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